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Autores espinhenses | Joaquim Soeiro Pereira Gomes - "Esteiros"

 

Na rubrica mensal, Autores Espinhenses, pretendemos dar a conhecer autores que nasceram, viveram ou ainda vivem em Espinho e que contribuíram para o desenvolvimento literário e cultural do concelho. Este mês a seleção incide sobre a obra "Esteiros” de Soeiro Pereira Gomes.

Joaquim Soeiro Pereira Gomes nasceu no dia 14 de abril de 1909, na freguesia de Gestaçô, concelho de Baião, no distrito do Porto. No final do verão de 1915, Soeiro Pereira Gomes, com 6 anos de idade, veio para Espinho e fez a sua instrução primária na Escola n.º 1 de Espinho, mais conhecida como "Escola da Feira”, localizada na esquina das ruas 19 e 22. Foi com a sua tia-avó e madrinha Leopoldina que ficou a viver. Prosseguiu os seus estudos no Colégio Externato de Espinho, durante dois anos.  Apesar de no seio familiar de Soeiro Pereira Gomes aspirarem a uma carreira na área de medicina a mesma não aconteceu devido à "reprovação em latim”. Assim, foi na Escola Nacional de Agricultura de Coimbra que ingressou, matriculando-se no Curso de Engenheiros Agrícolas, a 21 de outubro de 1920. Em julho de 1928, com apenas 19 anos de idade concluiu o Curso de Agricultor Diplomado.  Foi em Coimbra que afinou a sua apetência para o desporto, nomeadamente, na prática do futebol, natação, hipismo e ginástica, sendo nesta última modalidade, na especialidade de argolas, que veio a brilhar. Coimbra suscitou-lhe outras vivências que o levaram particularmente ao gosto pela cultura, permitindo-lhe criar contacto com o movimento da "Presença”, revista que apareceu em 1927. Posteriormente, acabou por ter um papel preponderante entre o movimento presencista e o grupo de neorrealistas de Vila Franca de Xira. Foi também em Coimbra que viria a conhecer Manuela Câncio Reis, sua futura mulher.  Regressa a casa, após o terminar o seu curso, mais concretamente ao Porto onde os seus pais residiam. Uma vez que a situação económica familiar não era a melhor e, uma vez que, não estava a conseguir trabalho em Portugal partiu para África nos finais da década de 30, fixando-se em Catumbela, uma vila perto do Lobito, onde trabalhou durante algum tempo na Companhia Agrícola de Cassequel.  O descontentamento com as condições de trabalho, a exploração da mão de obra negra e o tratamento dos trabalhadores como escravos, originou-lhe enorme rejeição naquela província levando-o a regressar à metrópole.  Em Portugal através do seu futuro sogro, Francisco Filipe dos Reis, consegue um posto de trabalho como empregado de escritório da Fábrica Cimentos Tejo, em Alhandra.  Em maio de 1931, com apenas 22 anos de idade, casou-se com a compositora Manuela Câncio Reis, fixando residência na vila de pescadores de Alhandra.   Nessa vila do Ribatejo foi um dos grandes impulsionadores do movimento cultural entre a população operária, organizando e dirigindo cursos de ginástica, contribuindo na montagem de bibliotecas particulares, realizando conferências sobre temas culturais e desportivos e colaborando na construção de uma piscina popular, em cuja obra trabalhou como operário.   Alhandra, no decorrer do ano de 1933, era o centro industrial do concelho de Vila Franca de Xira com uma classe operária em agitação, reunia diferentes cenários que foram fulcrais para a escrita neorrealista de Soeiro Pereira Gomes.  Joaquim Soeiro Pereira Gomes foi considerado um dos primeiros escritores da estética neo-realista, "corrente artística que simboliza a resistência ao fascismo e a Salazar, ancorada na visão marxista da história”.   Em 1935 iniciou a sua carreira de escritor, mas só no decorrer do ano de 1939 apareceram as suas primeiras crónicas nas páginas de "O Diabo”, semanário de grande prestígio à época.   Em 1940 escreveu o romance "Esteiros”, editado pela Sirius em 1941, com ilustrações e capa de Álvaro Cunhal, dirigente histórico dos comunistas portugueses. Sabe-se que em 1944 terminou a redação de Engrenagem e os últimos seis anos da sua vida foram repletos de percalços e de incertezas. Faleceu a 5 de dezembro de 1949 em Lisboa, vitimado por um cancro nos pulmões, com 40 anos de idade. O "seu cortejo fúnebre percorreu as ruas de Alhandra e continuou o seu percurso até Espinho, ficando o seu corpo sepultado em jazido de família.”  Na sua sepultura do cemitério de Espinho consta um breve, mas lapidar, elogio fúnebre: "A tua luta foi dádiva total”.  Esteiros foi o único romance que o autor publicou em vida. Considerado um grande romance do neorrealismo português dedicado aos "filhos dos homens que nunca foram meninos”.  Segundo Urbano Tavares Rodrigues o autor refere que "(…) Em Esteiros a natureza (histórica) das relações humanas é determinada pelas relações de produção”. No que diz respeito às relações económicas aponta que estas "(…) são sempre relações que se realizam entre seres humanos, à custa de seres humanos”.   "Esteiros” é uma narrativa de ação e plena de realismo sobre o trabalho dos meninos / homens nos telhais da margem do Tejo, evidenciando todas as dificuldades económicas e sociais existentes naquele ambiente.   O romance foi considerado um sucesso, com críticas elogiosas por parte de diversos escritores: Fernando namora fala de "uma das mais belas realizações da nova geração de prosadores portugueses”; Gaspar Simões disse ser "um dos melhores romances ultimamente publicados entre nós”; Joel Serrão descreveu-o como "O primeiro romance neorrealista de interesse (…)” e que tinha nascido em Portugal "um romancista e um romancista de relevante interesse.”  A memória de Soeiro Pereira Gomes, segundo Miguel Falcão "(…) continua a acompanhar-nos e ser invocada a propósito de temas como a cidadania e liberdade”.   Nesta sequência, a leitura que Vítor Viçoso faz às dedicatórias presentes nas obras "Esteiros” e "Engrenagem”, de Soeiro Pereira Gomes, remete o leitor para "uma intencionalidade no plano da democratização da cultura, materializada na construção de um novo destinatário sociocultura, ou seja, todos aqueles que até então estavam excluídos do nosso sistema literário”.      Bibliografia:      BOUÇON, Armando, COSTA, Luís –” Soeiro Pereira Gomes, de Gestaço para Espinho”. Coord. Mário Augusto. Espinho cultural: teatro, literatura e artes Cadernos de Espinho. [Espinho]: Ideias e Conteúdos-Produções em Comunicação. Vol. 8 (2021), p. 67-73  FALCÃO, Miguel – Pereira Gomes, camarada entre fariseus: uma trajectória de cidadania. Vértice. Lisboa: Página a Página. ISSN 0042-447. 149 (2009) p. 12-21  RODRIGUES, Urbano Tavares - O real e o imaginário em Esteiros de Soeiro Pereira Gomes. Colóquio - Letras, 51 (set. 1979). [Em linha]. [Lisboa]: Fundação Calouste Gulbenkian, 2006-2020. [Consult. 11 nov. 2021] Disponível em: COLÓQUIO/Letras : Cópia digital : N.º 51 (Set. 1979) (gulbenkian.pt)  VIÇOSO, Vitor – Soeiro Pereira Gomes: um caso singular do Neo-Realismo português. Vértice. Lisboa: Página a Página. ISSN 0042-447. 149 (2009) p. 5-11

For this month’s event dedicated to the authors born, living or that used to live in Espinho and who contributed to the district’s literary and cultural development we’ll be highlighting the book “Esteiros” by Joaquim Soeiro Pereira Gomes.

Para el evento de este mes dedicado a los autores nacidos, que han vivido o viven aún en Espinho y que han contribuido para el desarrollo literario y cultural del municipio hemos elegido el libro “Esteiros”, de Joaquim Soeiro Pereira Gomes.

 
 
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