Ir para o conteúdo. | Ir para a navegação

Quarta-feira, 13 Novembro 2019
Secções
Joshua Benoliel
 

i Exposições Temporárias

04 a 30 Nov

Valongo

Joshua Benoliel

  • Porto
  • |
  • 31 Out a 15 Jan
  • i Exposições Temporárias
© Leonardo Kossoy

"Only You"

Prolongamento do período de exibição

 

Leonardo Kossoy é brasileiro, nascido em 1943. É formado em direito pela Universidade Mackenzie, mas desde os anos 60 enveredou pela literatura e pelas artes visuais, tendo-se posteriormente dedicado exclusivamente à fotografia. “Only You” foi apresentada em 2014 no Instituto Tomie Ohtake (São Paulo, Brasil). “Oh, Oh, Only you… assim cantavam The Platters no hit de 1956 que, ao que parece, enfeitiçou até Elvis e iria reverberar por muitas gerações subsequentes. Não é por acaso que Kossoy atribui esse título em inglês para um trabalho que tem como tema os desafios e as possibilidades do relacionamento a dois. (…)

  Oh, Oh, Only you… assim cantavam The Platters no hit de 1956 que, ao que parece, enfeitiçou até Elvis e iria reverberar por muitas gerações subsequentes. É sem naïveté que Leonardo Kossoy toma emprestado esse título em inglês para um trabalho que tem como tema os desafios e as possibilidades do relacionamento a dois.       Só você parece dar sentido a este mundo   Só você faz minha escuridão brilhar   Só você pode me encantar do jeito que você faz   E encher meu coração de amor   Só por você, somente você       Que relação pode comportar tamanha expectativa? Quem é este “você”? Quantos estão neste “você”? Será este you o Outro que amo, este ser único que justifica minha própria existência? Ou será ele a imagem especular, a projeção inconsciente de meus desejos e necessidades afetivas? Talvez nunca tenhamos sido dois, mas somente um – only me. Será a intimidade do casal realmente única e privada? Ou será ela produto de uma sociedade inexoravelmente mergulhada numa neblina midiática? Canções, romances, pinturas, filmes, novelas de TV ou peças de teatro reproduzem ou normatizam os padrões e as demandas de nossa existência a dois? Há cinismo ou redenção nessas tantas questões? Provavelmente ambos, na medida em que construções são muitas vezes antecipadas por demolições. Only You ajuda a abalar as estruturas de um Nós amoroso excessivamente apoiado em noções de interioridade e unidade, deixando o terreno aberto para se pensar o relacionamento a dois em bases mais exteriores e múltiplas.       O mérito maior do Only You de Kossoy, entretanto, está na inventividade e sutileza das experiências estéticas e dramáticas que estabelecem essa questão. Através de uma estratégia de fragmentação que escapa à causalidade narrativa, os grupos de Kossoy exploram os meios significantes da fotografia e do vídeo para colocar o observador em posições pré-codificadas. O trabalho aponta para outros meios, outras artes. O cinema, por exemplo, é referenciado na frontalidade do movimento de câmera que o caracteriza – o panning. O espaço do teatro – tragédia ou ópera – reflete-se no exagero dramático de gestos visto da perspectiva aérea dos balcões da plateia. O próprio uso do meio fotográfico – pelo enquadramento, no espaço cênico estabelecido, em suas relações extremas de luz e sombra, perspectivas envolventes, e imagens ora arrastadas ora nítidas – alude à pintura, imprimindo um quê do barroco Caravaggiano, ou até mesmo da ansiedade de Bacon. Até a nudez aqui é meio. O nu, que a tudo permeia, é o figurino de Kossoy. Como seus fundos negros indeterminados, a nudez também recusa referências de tempo e espaço. Uma cena de jantar a dois, que pode lembrar Buñuel, Almodóvar ou novela de TV, é a exceção que confirma a regra. Aqui as roupas são os props que provocam um dos poucos momentos eróticos do trabalho. Como observou Ana Kiffer, a nudez em Only You escapa às suas classificações pós-modernas: não é pornô nem pós-pornô, não é idealizada, comercializada e quase nunca é erótica. Papéis femininos e masculinos complicam estereótipos e agendas, como afirmou Roberto Tejada. A nudez mais ousada em Only You, porém, está mesmo no desnudamento da noção insular de interioridade. Nossas singularidades como casal talvez venham a ser muito mais plurais e exteriormente partilhadas do que estamos preparados para admitir.       Fernando Azevedo    Curador  

 
 
Prolongamento do período de exibição
Acções do Documento
 
Localização no Mapa
Proximidades

i Exposições Permanentes

01 Jan a 31 Dez

Porto

Núcleo Museológico António Pedro Vicente

Centro Português de Fotografia

 
Agenda
Novembro
Do
1 2
3 4 5 6 7 8 9
10 11 12 13 14 15 16
17 18 19 20 21 22 23
24 25 26 27 28 29 30
« Novembro 2019 »
Newsletter