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SUMMARY:Diálogo
DESCRIPTION:More info\nH&aacute\; quem pense que a interpreta&ccedil\;&atil
 de\;o art&iacute\;stica &eacute\; uma ced&ecirc\;ncia ao aburguesamento do
  pensamento. Mas num mundo cada vez mais povoado de imagens &ndash\; onde 
 cada um de n&oacute\;s as produz e difunde &ndash\; num mundo onde a image
 m art&iacute\;stica &eacute\; herm&eacute\;tica e suscita em quem a v&ecir
 c\; a incredulidade\, em que s&oacute\; o espa&ccedil\;o e os pares a legi
 timam\, numa altura em que a teoria &eacute\; desvalorizada\, caber&aacute
 \; aos espa&ccedil\;os art&iacute\;sticos e aos artistas o di&aacute\;logo
  com o p&uacute\;blico sob pena do mesmo se arredar de algo que lhe diz re
 speito: a Arte. Como podemos ler numa das pe&ccedil\;as de Cristina Mateus
 : &ldquo\;estou-me nas tintas para a economia de mercado\, para a pol&iacu
 te\;tica\, para o direito can&oacute\;nico\, para a arte.&rdquo\; N&atilde
 \;o querendo fazer o papel de evangelizador\, de taumaturgo que alivia as 
 almas sedentas de conhecimento &ndash\; mas j&aacute\; o fazendo (a chamad
 a contradi&ccedil\;&atilde\;o performativa) &ndash\; tamb&eacute\;m este t
 exto pretende dialogar com quem o l&ecirc\;. Avelino S&aacute\; e Cristina
  Mateus fazem isso mesmo: dialogam com o seu p&uacute\;blico e entre si. E
 m comum t&ecirc\;m o texto e o contexto\; ou seja\, ambos usam o texto com
 o express&atilde\;o art&iacute\;stica em si\, a par da cor\, da luz\, da f
 orma. No que concerne &agrave\;s pe&ccedil\;as de Cristina Mateus\, todas 
 elas apresentadas como legendas de um filme em branco (ant&iacute\;tese do
  comum\, j&aacute\; que o comum &eacute\; que &ldquo\;no escurinho do cine
 ma&rdquo\; as legendas surjam em branco)\, h&aacute\; uma clara refer&ecir
 c\;ncia ao di&aacute\;logo. Foram frases\, express&otilde\;es\, ang&uacute
 \;stias que Cristina Mateus passou para a folha branca atrav&eacute\;s da 
 esferogr&aacute\;fica preta (o regresso ao anal&oacute\;gico depois do dig
 ital\, depois do anal&oacute\;gico) e nesse sentido\, n&atilde\;o h&aacute
 \; d&uacute\;vida que se trata de um di&aacute\;logo. Ali encontramos pala
 vras como &ldquo\;ouvidos&rdquo\;\, &ldquo\;frase&rdquo\;\, &ldquo\;l&aacu
 te\;bios&rdquo\;\, &ldquo\;palavras&rdquo\;\, &ldquo\;conversas&rdquo\;\, 
 &ldquo\;dizer&rdquo\;... Mas como nos surgem isoladas\, essas express&otil
 de\;es tornam-se lapidares\, &agrave\;s vezes ris&iacute\;veis\, incompree
 ns&iacute\;veis j&aacute\; que est&atilde\;o colocadas fora da sequ&ecirc\
 ;ncia do filme &ndash\; geralmente hegeliana\, com tese\, ant&iacute\;tese
  e s&iacute\;ntese. Avelino S&aacute\; comunica com o p&uacute\;blico as s
 uas viagens e leituras que no fundo formam a biblioteca criativa do artist
 a. N&atilde\;o existem nelas refer&ecirc\;ncias directas ao di&aacute\;log
 o no mesmo sentido que vemos nas obras de Cristina Mateus. Mas h&aacute\; 
 outro tipo de di&aacute\;logo: o di&aacute\;logo velado\, com v&aacute\;ri
 as camadas (fruto da t&eacute\;cnica utlizada pelo artista\, a enc&aacute\
 ;ustica\, t&eacute\;cnica ancestral que combina cera de abelha com pigment
 o)\, o palimpsesto que permite desvendar &ndash\; em alguns casos com maio
 r dificuldade do que em outros &ndash\; pequenas express&otilde\;es\, fras
 es de poetas como Celan ou Kavafis. Celan era ali&aacute\;s conhecido como
  o poeta do sil&ecirc\;ncio. E &eacute\; o sil&ecirc\;ncio que pontua as o
 bras de Avelino S&aacute\;. &Eacute\; o sil&ecirc\;ncio (&ldquo\;Stille&rd
 quo\;) que vemos &agrave\; entrada. N&atilde\;o sabemos se o sil&ecirc\;nc
 io &eacute\; branco ou negro - isso seria discutir sinestesias\, o que se 
 revela imposs&iacute\;vel - mas sabemos que em Avelino ele &eacute\; branc
 o e negro\, e por vezes pontuado por linhas horizontais e verticais\, mais
  prop&iacute\;cias &agrave\; quietude da neve (Schnee)\, ao vazio. O visit
 ante que entra depara-se &ndash\; do seu lado direito - com um conjunto de
  frases gravadas em fundo negro\, da autoria de Avelino S&aacute\;\, t&ati
 lde\;o lapidares com as de Cristina Mateus. E acrescentar&iacute\;amos ao 
 voc&aacute\;bulo &ldquo\;lapidares&rdquo\; um outro: &ldquo\;fotogr&aacute
 \;ficas&rdquo\; (e &ldquo\;cinematogr&aacute\;ficas&rdquo\;): &ldquo\;uma 
 carpa saltou a &aacute\;gua aquieta-se o cuco canta&rdquo\;. Assim\, em jo
 rro\, sem pontua&ccedil\;&atilde\;o. Segue-se o sil&ecirc\;ncio (Stille) e
  a neve (Schnee) (sugest&atilde\;o do branco sobre parede branca) e &agrav
 e\; direita\, as legendas de Cristina Mateus\, tamb&eacute\;m elas sobre f
 undo branco. Pede-se uma pausa (&ldquo\;N&atilde\;o estou a perceber onde 
 queres chegar&rdquo\;)\, mas tamb&eacute\;m a continua&ccedil\;&atilde\;o 
 (&ldquo\;Conta-me coisas&rdquo\;). E novamente a pausa com a vis&atilde\;o
  do pequeno rect&acirc\;ngulo negro sobre fundo branco\, como uma janela. 
 Nele est&atilde\;o inscritas as palavras &ldquo\;velho tanque som negro um
  peixe salta sobre um mosquito&rdquo\;. &Agrave\; direita a s&eacute\;rie 
 &ldquo\;Ecos do Sil&ecirc\;ncio&rdquo\;\, onde o texto est&aacute\; tamb&e
 acute\;m silenciado\, mas n&atilde\;o calado. E nova pausa a negro\, atrav
 &eacute\;s do pequeno quadrado em paralelo com o quadrado branco sobre a t
 ela em branco. &ldquo\;Esperou que eu viesse&rdquo\;. (Juliana Pinho\, 201
 5)
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