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SUMMARY:Diálogo
DESCRIPTION:Horário\nSegundas e Sábados: 15:00h-19:30h Terças\, Quartas\
 , Quintas e Sextas: 10:00h-12:30h e 15:00h-19:30h\n\nMais informação\nH&
 aacute\; quem pense que a interpreta&ccedil\;&atilde\;o art&iacute\;stica 
 &eacute\; uma ced&ecirc\;ncia ao aburguesamento do pensamento. Mas num mun
 do cada vez mais povoado de imagens &ndash\; onde cada um de n&oacute\;s a
 s produz e difunde &ndash\; num mundo onde a imagem art&iacute\;stica &eac
 ute\; herm&eacute\;tica e suscita em quem a v&ecirc\; a incredulidade\, em
  que s&oacute\; o espa&ccedil\;o e os pares a legitimam\, numa altura em q
 ue a teoria &eacute\; desvalorizada\, caber&aacute\; aos espa&ccedil\;os a
 rt&iacute\;sticos e aos artistas o di&aacute\;logo com o p&uacute\;blico s
 ob pena do mesmo se arredar de algo que lhe diz respeito: a Arte. Como pod
 emos ler numa das pe&ccedil\;as de Cristina Mateus: &ldquo\;estou-me nas t
 intas para a economia de mercado\, para a pol&iacute\;tica\, para o direit
 o can&oacute\;nico\, para a arte.&rdquo\; N&atilde\;o querendo fazer o pap
 el de evangelizador\, de taumaturgo que alivia as almas sedentas de conhec
 imento &ndash\; mas j&aacute\; o fazendo (a chamada contradi&ccedil\;&atil
 de\;o performativa) &ndash\; tamb&eacute\;m este texto pretende dialogar c
 om quem o l&ecirc\;. Avelino S&aacute\; e Cristina Mateus fazem isso mesmo
 : dialogam com o seu p&uacute\;blico e entre si. Em comum t&ecirc\;m o tex
 to e o contexto\; ou seja\, ambos usam o texto como express&atilde\;o art&
 iacute\;stica em si\, a par da cor\, da luz\, da forma. No que concerne &a
 grave\;s pe&ccedil\;as de Cristina Mateus\, todas elas apresentadas como l
 egendas de um filme em branco (ant&iacute\;tese do comum\, j&aacute\; que 
 o comum &eacute\; que &ldquo\;no escurinho do cinema&rdquo\; as legendas s
 urjam em branco)\, h&aacute\; uma clara refer&ecirc\;ncia ao di&aacute\;lo
 go. Foram frases\, express&otilde\;es\, ang&uacute\;stias que Cristina Mat
 eus passou para a folha branca atrav&eacute\;s da esferogr&aacute\;fica pr
 eta (o regresso ao anal&oacute\;gico depois do digital\, depois do anal&oa
 cute\;gico) e nesse sentido\, n&atilde\;o h&aacute\; d&uacute\;vida que se
  trata de um di&aacute\;logo. Ali encontramos palavras como &ldquo\;ouvido
 s&rdquo\;\, &ldquo\;frase&rdquo\;\, &ldquo\;l&aacute\;bios&rdquo\;\, &ldqu
 o\;palavras&rdquo\;\, &ldquo\;conversas&rdquo\;\, &ldquo\;dizer&rdquo\;...
  Mas como nos surgem isoladas\, essas express&otilde\;es tornam-se lapidar
 es\, &agrave\;s vezes ris&iacute\;veis\, incompreens&iacute\;veis j&aacute
 \; que est&atilde\;o colocadas fora da sequ&ecirc\;ncia do filme &ndash\; 
 geralmente hegeliana\, com tese\, ant&iacute\;tese e s&iacute\;ntese. Avel
 ino S&aacute\; comunica com o p&uacute\;blico as suas viagens e leituras q
 ue no fundo formam a biblioteca criativa do artista. N&atilde\;o existem n
 elas refer&ecirc\;ncias directas ao di&aacute\;logo no mesmo sentido que v
 emos nas obras de Cristina Mateus. Mas h&aacute\; outro tipo de di&aacute\
 ;logo: o di&aacute\;logo velado\, com v&aacute\;rias camadas (fruto da t&e
 acute\;cnica utlizada pelo artista\, a enc&aacute\;ustica\, t&eacute\;cnic
 a ancestral que combina cera de abelha com pigmento)\, o palimpsesto que p
 ermite desvendar &ndash\; em alguns casos com maior dificuldade do que em 
 outros &ndash\; pequenas express&otilde\;es\, frases de poetas como Celan 
 ou Kavafis. Celan era ali&aacute\;s conhecido como o poeta do sil&ecirc\;n
 cio. E &eacute\; o sil&ecirc\;ncio que pontua as obras de Avelino S&aacute
 \;. &Eacute\; o sil&ecirc\;ncio (&ldquo\;Stille&rdquo\;) que vemos &agrave
 \; entrada. N&atilde\;o sabemos se o sil&ecirc\;ncio &eacute\; branco ou n
 egro - isso seria discutir sinestesias\, o que se revela imposs&iacute\;ve
 l - mas sabemos que em Avelino ele &eacute\; branco e negro\, e por vezes 
 pontuado por linhas horizontais e verticais\, mais prop&iacute\;cias &agra
 ve\; quietude da neve (Schnee)\, ao vazio. O visitante que entra depara-se
  &ndash\; do seu lado direito - com um conjunto de frases gravadas em fund
 o negro\, da autoria de Avelino S&aacute\;\, t&atilde\;o lapidares com as 
 de Cristina Mateus. E acrescentar&iacute\;amos ao voc&aacute\;bulo &ldquo\
 ;lapidares&rdquo\; um outro: &ldquo\;fotogr&aacute\;ficas&rdquo\; (e &ldqu
 o\;cinematogr&aacute\;ficas&rdquo\;): &ldquo\;uma carpa saltou a &aacute\;
 gua aquieta-se o cuco canta&rdquo\;. Assim\, em jorro\, sem pontua&ccedil\
 ;&atilde\;o. Segue-se o sil&ecirc\;ncio (Stille) e a neve (Schnee) (sugest
 &atilde\;o do branco sobre parede branca) e &agrave\; direita\, as legenda
 s de Cristina Mateus\, tamb&eacute\;m elas sobre fundo branco. Pede-se uma
  pausa (&ldquo\;N&atilde\;o estou a perceber onde queres chegar&rdquo\;)\,
  mas tamb&eacute\;m a continua&ccedil\;&atilde\;o (&ldquo\;Conta-me coisas
 &rdquo\;). E novamente a pausa com a vis&atilde\;o do pequeno rect&acirc\;
 ngulo negro sobre fundo branco\, como uma janela. Nele est&atilde\;o inscr
 itas as palavras &ldquo\;velho tanque som negro um peixe salta sobre um mo
 squito&rdquo\;. &Agrave\; direita a s&eacute\;rie &ldquo\;Ecos do Sil&ecir
 c\;ncio&rdquo\;\, onde o texto est&aacute\; tamb&eacute\;m silenciado\, ma
 s n&atilde\;o calado. E nova pausa a negro\, atrav&eacute\;s do pequeno qu
 adrado em paralelo com o quadrado branco sobre a tela em branco. &ldquo\;E
 sperou que eu viesse&rdquo\;. (Juliana Pinho\, 2015)
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